Sabe quando se está à beira de um precipício a milímetros da morte e se tem a plena consciência que com o mínimo esforço você poderia se salvar, na medida em que seus braços ainda alcançam os galhos de uma árvore próxima, além de uma corda que fora jogada aos seus pés, no entanto, a sensação de liberdade e a sedução da queda, comparada, talvez, a uma experiência normalmente inenarrável descrita pelos adeptos de bungee jumping, sejam componentes inspiradores e encorajadores.
Dessa forma senti José. E agora? Para onde? Realmente, José não sabe o que é pior: se estabacar lançando-se para o desconhecido foço da morte ou perder a oportunidade de experimentar o prazer inebriante da queda livre novamente. Enquanto isso, lá de cima, a vista é indescritível e ficar inerte, bem quieto, conforta-o, ainda, e garante mais alguns dias de vida.
O precipício sorri para José – e que sorriso, daqueles que eu na minha humilde pretensão a escritor não conseguiria descrevê-lo com todos os detalhes – mas também, tem cara, tem gosto, tem cheiro, ele chama, clama e ama. Ama? Engraçado caro leitor, mas viva a licença poética e as metáforas, mas o precipício de José tem sentimentos.
Contudo, dizem que no fim, depois que a dor cessa, a morte é serena, isso conferiria a ela outra cara diferente daquela dos desenhos animados, talvez seja isso que seduza alguns, já enquanto que para José não sei se é a morte ou, simplesmente, os segundos que a antecedem na queda.